LIÇÃO 151: Todas as coisas são ecos da Voz por Deus

Foto por Mateusz Sau0142aciak em Pexels.com

 

Todas as coisas são ecos da Voz por Deus.

 

1. Ninguém pode julgar com base em evidência parcial. Isso não é julgamento. É apenas uma opinião baseada na ignorância e na dúvida. A sua aparente certeza não passa de um disfarce para a incerteza que quer ocultar. Ela precisa de uma defesa irracional, porque é irracional. E a sua defesa parece ser forte, convincente e indubitável devido a todas as dúvidas subjacentes.

2. Tu não pareces duvidar do mundo que vês. Não questionas realmente o que te é mostrado através dos olhos do corpo. Tampouco te perguntas por que acreditas nele, embora já tenhas aprendido há muito tempo que os teus sentidos, de fato, enganam. Acreditares nos teus sentidos até o último detalhe que te reportam é ainda mais estranho quando fazes uma pausa para recordar com que frequência, de fato, eles têm sido testemunhas falhas! Por que razão confiarias neles tão implicitamente? Por que razão, senão pela dúvida subjacente, que queres esconder fazendo da certeza um espetáculo?

3. Como podes julgar? Teu julgamento baseia-se no testemunho que te oferecem os teus sentidos. No entanto, jamais houve testemunho mais falso do que esse. Mas de que outra forma julgas o mundo que vês? Depositas uma fé patética no que os teus olhos e ouvidos reportam. Pensas que os teus dedos tocam a realidade e se fecham sobre a verdade. Essa é a consciência que compreendes e pensas ser mais real do que o que é testemunhado pela eterna Voz pelo Próprio Deus.

4. Isso pode ser um julgamento? A ti foi pedido com frequência que te abstivesses de julgar, não que isso seja um direito que te é recusado. Não podes julgar. Podes meramente acreditar nos julgamentos do ego que são todos falsos. Ele guia cuidadosamente os teus sentidos para provar o quanto és fraco, o quanto és indefeso e amedrontado, o quanto vives apreensivo com a punição justa, o quanto és enegrecido pelo pecado e miserável na tua culpa.

5. Essa coisa da qual ele fala e que ainda quer defender, ele te diz que é o que tu és. E acreditas que isso é assim com uma certeza obstinada. No entanto, lá no fundo permanece a dúvida oculta de que ele próprio não acredite no que te mostra com tanta convicção como se fosse a realidade. Ele só condena a si mesmo. É dentro de si próprio que vê a culpa. É o seu próprio desespero que ele vê em ti.

6. Não dês ouvidos à voz do ego. Os testemunhos que ele te envia para te provar que o mal que está nele é teu são falsos e falam com certeza de algo que não conhecem. A fé que tens neles é cega, porque não queres compartilhar as dúvidas que o próprio senhor desses testemunhos não consegue subjugar completamente. Acreditas que duvidar dos seus vassalos é duvidar de ti mesmo.

7. No entanto, tens que aprender a duvidar que a evidência que te trazem desobstruirá o caminho para que reconheças a ti mesmo, e a deixar que apenas a Voz por Deus seja o Juiz do que é digno da tua própria crença. Ele não te dirá que o teu irmão deve ser julgado pelo que teus olhos contemplam, nem pelo que a boca do corpo do teu irmão diz aos teus ouvidos nem pelo que o toque dos teus dedos te reporta sobre ele. Ele ignora esses vãos testemunhos, que apenas dão falso testemunho do Filho de Deus. Ele só reconhece o que Deus ama e, à santa luz do que Ele vê, todos os sonhos do ego sobre o que tu és se desvanecem diante do esplendor que Ele contempla.

8. Deixa que Ele seja o Juiz do que tu és, pois Ele tem a certeza na qual não há dúvidas, já que se baseia em Certeza tão grande que qualquer dúvida fica sem significado diante da Sua face. Cristo não pode duvidar de Si Mesmo. A Voz por Deus só pode honrá-Lo, regozijando-Se na Sua perfeita e eterna impecabilidade. Aquele que Ele julgou só pode rir da culpa, agora sem vontade de brincar com os brinquedos do pecado, ignorando as testemunhas do corpo diante do êxtase da santa face de Cristo.

9. E assim Ele te julga. Aceita o Seu Verbo quanto ao que tu és, pois Ele dá testemunho da tua bela criação e da Mente Cujo Pensamento criou a tua realidade. O que pode o corpo significar para Aquele Que conhece a glória do Pai e do Filho? Que sussurros do ego pode Ele ouvir? O que poderia convencê-Lo de que os teus pecados são reais? Deixa que Ele também seja o Juiz de tudo o que parece te acontecer nesse mundo. As Suas lições te permitirão construir uma ponte sobre a brecha entre as ilusões e a verdade.

10. Ele removerá toda a fé que tens depositado na dor, no desastre, no sofrimento e na perda. Ele te dá a visão que pode olhar para o que está além dessas sombrias aparências e contemplar a gentil face de Cristo em todas elas. Não mais duvidarás de que só o bem pode vir a ti que és amado por Deus, pois Ele julgará todos os acontecimentos e te ensinará a lição única que todos contêm.

11. Ele selecionará os elementos que representam a verdade e ignorará todos os aspectos que refletem apenas sonhos vãos. E Ele reinterpretará tudo o que vês, todas as ocorrências, cada circunstância e cada acontecimento que parece te tocar de algum modo a partir do Seu referencial único, totalmente unificado e seguro. E verás o amor além do ódio, a constância na mudança, a pureza no pecado e apenas a bênção do Céu sobre o mundo.

12. Tal é a tua ressurreição, pois a tua vida não faz parte de coisa alguma que vês. Ela está além do corpo e do mundo, depois de todo testemunho do profano, no interior Daquele Que é Santo, tão santo quanto Ele Mesmo. Em todos e em tudo a Sua Voz não quer te falar de nada, exceto do teu Ser e do teu Criador, Que é um com Ele. E assim, verás a santa face de Cristo em tudo e em tudo não ouvirás som algum exceto o eco da Voz de Deus.

13. Hoje praticamos sem palavras, com exceção do início do tempo que passamos com Deus. Introduzimos esses momentos apenas com uma única e lenta repetição do pensamento com o qual o dia começa. E, então, observamos os nossos pensamentos, apelando silenciosamente para Aquele Que neles vê os elementos da verdade. Deixa-O avaliar cada pensamento que te vem à mente, retirar os elementos de sonho e devolvê-los outra vez como ideias limpas que não contradizem a Vontade de Deus.

14. Dá-Lhe os teus pensamentos e Ele os devolverá como milagres que proclamam alegremente a integridade e a felicidade que é a Vontade de Deus para o Seu Filho, como prova do Seu eterno Amor. E, à medida que cada pensamento é assim transformado, assume o poder curativo da Mente Que nele viu a verdade e não Se deixou enganar pelo que lhe foi falsamente acrescentado. Todos os fios da fantasia se foram. E o que permanece é unificado num Pensamento perfeito que oferece a sua perfeição em toda parte.

15. Passa quinze minutos assim ao acordar e dá mais quinze minutos com alegria antes de ires dormir. O teu ministério começa à medida que todos os teus pensamentos são purificados. E assim te é ensinado a ensinar ao Filho de Deus a santa lição da sua santidade. Ninguém pode falhar em escutar, quando ouves a Voz por Deus honrar o Filho de Deus. E todos compartilharão contigo os pensamentos que Ele retraduziu na tua mente.

16. Tal é a tua Páscoa. E assim depositas a tua dádiva de lírios brancos como a neve sobre o mundo, substituindo as testemunhas do pecado e da morte. Através da tua transfiguração, o mundo é redimido e alegremente se libera da culpa. Agora erguemos as nossas mentes ressuscitadas em contentamento e gratidão para com Aquele Que restaurou a nossa sanidade para nós.

17. E, a cada hora, nos lembraremos Daquele Que é salvação e liberação. E, ao darmos continuidade graças, o mundo une-se a nós e aceita com alegria os nossos santos pensamentos que o Céu corrigiu e purificou. Agora, enfim, começou o nosso ministério para levar pelo mundo a feliz notícia de que a verdade não tem ilusões e de que a paz de Deus, através de nós, pertence a todos.

 

O Céu é a decisão que tenho que tomar.

Vou tomá-la agora e não mudarei minha mente,

pois é a única coisa que quero.

 
(LIVRO: “UM CURSO EM MILAGRES”)

 

 

Comentários de Kenneth Wapnick
Todas as coisas são ecos da Voz por Deus.

“Essa lição esclarece dois temas que são vitais para a compreensão do sistema de pensamento do ego: o papel do julgamento e a importância do corpo. A idéia “Todas as coisas são ecos da Voz por Deus”. Nosso medo é o de que se olharmos para tudo nesse mundo – o sonho do ego – através dos olhos do Espírito Santo, vamos ver tudo diferente: nenhum ataque, necessidade ou gratificação, mas apenas expressões de amor ou pedidos de amor (T-14.C.7:1-2). Essa visão induz o medo porque não iríamos mais ser especiais ou únicos, tendo aprendido que o corpo não tem efeitos e, portanto, não é nada. Como não somos mais indivíduos separados, tudo o que acreditamos sobre nós mesmos e os outros estava errado, e nós abandonamos a crença em nossas percepções por percebermos que tudo aqui reflete o pensamento de separação na mente, que é uma defesa contra a verdade da lição de hoje.  

A realidade do Filho de Deus é espírito e não tem nada a ver com o corpo. Uma vez que eu escolho a individualidade do ego, nego Quem eu sou, o que automaticamente engendra dúvida e incerteza. Isso é defendido com a certeza absoluta de que estou certo. Esse auto-conceito, nascido da auto-dúvida, nós ensinamos a nós mesmos e aos outros.

Nossa incerteza e medo nos levam à certeza arrogante de que conhecemos a verdade. Pelo fato de existirem tantas dúvidas dentro de nossas mentes, temos que fazer um mundo que parece tão certo, e um corpo, governado por um cérebro, que interpreta insumos sensórios do mundo.

Nós acreditamos no corpo porque ele cumpre a estratégia do ego de preservar nossa identidade separada, tornando-nos sem mente, corpos vivendo em um mundo sem mente. Isso culmina em nossa certeza absoluta de que a realidade é física e externa. O propósito dessa pseudo-certeza é ocultar o terror que espreita em nossas mentes; uma incerteza nascida da escolha original de substituir a Certeza de Deus pela dúvida do ego.

Jesus não está falando simbolicamente quando diz que nós não somos corpos. Ele quer dizer isso literalmente. Nós continuamente confiamos em nossos corpos e cérebros para interpretarem o que pensamos ser realidade e verdade, e estamos sempre errados. Humildade é ir até Jesus, dizendo: “Obrigado, Deus, eu estou errado e você está certo”. Estamos enganados sobre tudo, até mesmo em pensar que sabemos o que esse curso está ensinando. Nós meditamos sobre o significado das suas palavras através da nossa necessidade de tornar real a individualidade e o especialismo do corpo. Essa identificação com nosso ser especial abafa “A Voz eterna por Deus”

Não deveríamos julgar não porque isso seja mau ou pecaminoso. Nós não podemos julgar. Nossos julgamentos sempre vêm do sistema de pensamento do ego que é baseado na necessidade de preservar nossa individualidade, provando que Deus está errado e nós certos. 

Não somos livres para estabelecer a realidade, mas somos livres dentro do nosso sonho para ditarmos o que é a realidade.

O apelo familiar de Jesus através do todo o Um Curso em Milagres é para que ouçamos sua voz em vez da do ego.

No entanto, antes de poder fazer o que ele diz, primeiro preciso reconhecer a voz do ego. É por isso que Jesus devota tanto do seu curso a nos ajudar a entender o sistema defensivo do especialismo. Não posso escolher contra algo que não sei que está lá.

Lembre-se, pecado, culpa e medo foram feitos no primeiro nível de defesas, o que nos levou a temer nossas mentes. A seguir, fizemos um mundo, corpo e cérebro para nos esconder daquilo de que tínhamos tanto medo. Nós, portanto, colocamos nossa fé no corpo porque estamos aterrorizados de voltar para a mente, e aquilo em que colocamos nossa fé, acreditamos ser verdadeiro. Portanto, nosso senso de ser realmente mudou da mente para o corpo, que se tornou o vassalo do seu senhor de culpa e medo.

Quanto mais nos voltamos para o Espírito Santo em busca de ajuda, menos seriamente vemos esse mundo e o que acontece aqui. Portanto, refletindo Seu Amor, vamos nos tornar cada vez mais amorosos e disponíveis para os outros. Isso não significa, como sabemos, que damos nossas costas ao sofrimento nosso ou de outras pessoas, mas que simplesmente olhamos para o sofrimento de forma diferente, não dando às defesas do ego o poder de destruir a realidade do amor em nossas mentes. Portanto, os sonhos felizes de perdão do Espírito Santo substituem os pesadelos de culpa e morte do ego. E nós podemos sorrir: 

O Espírito Santo não vê a ilusão, nem reconhece como verdade o que tornamos real para nós mesmos: o pensamento de pecado ou o corpo. Assim, realmente recebemos Seu julgamento amoroso.

Não somos solicitados a negarmos o que os olhos do nosso corpo vêem, mas somos solicitados a darmos um passo para fora do sonho e olharmos com Jesus para seu conteúdo. Acima do campo de batalha com ele ao nosso lado, tudo parece diferente, e agora vemos o mundo como nada além de um sonho. O que pensamos nos ter trazido salvação ou dor nós agora entendemos como partes da mesma ilusão. 

Olhando através das aparências do pecado – “velhas idéias e antigos conceitos” -, contemplamos o reflexo da verdade do perdão brilhando a partir dos nossos irmãos e de nós mesmos. Como o mundo então se torna lindo!

O Espírito Santo não muda os sonhos. Ele muda a maneira com que olhamos para o sonho. Nós então vemos todas as situações como oportunidades de aprendermos que temos uma mente que escolheu esse sistema de pensamento de separação, e, portanto, uma mente que pode mudá-lo.

Esse é o julgamento agora familiar do Espírito Santo: o comportamento é percebido como um pedido de amor ou uma expressão de amor. Isso não é para dizer que as coisas aqui são reais, mas que refletem uma decisão na mente de estar ou com o ego – meu comportamento é a sombra da minha escolha errada, portanto, pede ajuda – ou o Espírito Santo – meu comportamento refletindo Seu Amor, e a constância do Céu abençoando a pura inocência do Filho. 

Ver a face santa de Cristo significa que vemos a inocência do nosso irmão, porque percebemos que os pecados dos quais o acusamos são as projeções dos pecados de que acusamos a nós mesmos – todos ilusórios. Assim, olhamos através da feiúra do ódio do ego para o encanto da face do perdão, ouvindo, além dos gritos assassinos do ego, o gentil eco da Voz de Deus. Como é alegre a visão recém-nascida que saúda nossos olhos!

O Espírito Santo avalia meus pensamentos apenas se eu os der a Ele – meu papel no perdão; preciso estar consciente desses pensamentos de especialismo para que Ele possa me ajudar a olhar para eles de forma diferente. Portanto, preciso liberar meu investimento no ego, o que o faz desaparecer. O que permanece é o reflexo da Expiação da mente certa. 

Quando escolho o Espírito Santo como meu Professor, escolho contra a separação. Nesse instante santo, eu sou o Filho de Deus, que é um. 

Lírios são o adorável símbolo do Um Curso em Milagres para o perdão. Quando escolho contra a culpa e a favor da inocência, escolho por todos – a mente do Filho de Deus é nossa dádiva de lírios, portanto, desfaz a crucificação da separação, e restaura às nossas mentes redimidas e ressuscitadas a consciência da nossa Identidade como um Filho

Nossa voz agora ecoa a Voz que unifica o Filho de Deus; a identidade da qual nós alegremente nos lembramos, conforme nos unimos aos nossos irmãos, dando graças a Jesus, que nos trouxe a esse lugar santo de ressurreição.”

 

 

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