LIÇÃO 138:  O Céu é a decisão que tenho que tomar

 

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Foto por Brett Sayles em Pexels.com

O Céu é a decisão que tenho que tomar.

  1. Neste mundo, o Céu é uma escolha, porque aqui acreditamos que há alternativas entre as quais escolher. Pensamos que todas as coisas têm um oposto e que escolhemos aquilo que queremos. Se o Céu existe, também tem que haver um inferno, pois a contradição é o modo como fazemos o que percebemos e o que pensamos ser real.
  1. A criação desconhece opostos. Mas aqui a oposição é parte do que é “real”. É essa estranha percepção da verdade que faz com que escolher o Céu pareça ser a mesma coisa que abandonar o inferno. Isso não é realmente assim. No entanto o que é verdadeiro na criação de Deus não pode entrar aqui até que seja refletido de alguma forma que o mundo possa compreender. A verdade não pode vir aonde só poderia ser percebida com medo. Pois isso seria o erro de que a verdade pode ser trazida às ilusões. A oposição faz com que a verdade não seja bem-vinda e ela não pode vir.
  1. Escolher é obviamente o modo de escapar do que os opostos parecem ser. A decisão permite que uma das metas conflitantes venha ser alvo do esforço e do dispêndio do tempo. Sem decisão, o tempo é apenas um desperdício e o esforço é dissipado. Gasto sem nenhum retorno, o tempo passa sem resultados. Não há senso de ganho, pois nada é realizado, nada é aprendido.
  1. Tu precisas ser lembrado de que pensas que mil escolhas te confrontam, quando realmente há apenas uma. E mesmo essa apenas parece ser uma escolha. Não te confundas com todas as dúvidas que milhares de decisões iram induzir. Só fazes uma escolha. E, uma vez feita, perceberás que não havia absolutamente nenhuma. Pois a verdade é verdadeira e nada mais é verdadeiro. Não há nenhum oposto a ser escolhido em seu lugar. Não há contradição para a verdade.
  1. A escolha depende do aprendizado. E a verdade não pode ser aprendida, só reconhecida. Mas o conhecimento está além das metas que buscamos ensinar no escopo desse curso. As nossas são metas de ensino a serem atingidas através do aprendizado de como é possível alcançá-las, do que são e do que te oferecem. As decisões são o resultado de teu aprendizado, pois se baseiam no que aceitaste como a verdade do que és e de quais são tuas necessidades.
  1. Nesse mundo insanamente complicado, o Céu parece tomar a forma de uma escolha ao invés de ser simplesmente o que é. De todas as escolhas que tentaste fazer, essa é a mais simples, a mais definitiva e o protótipo de todo o resto, aquela que resolve todas as decisões. Se pudesses decidir o resto, essa permaneceria sem solução. Mas, ao resolvê-la, todas as outras são resolvidas com ela, pois todas as decisões apenas ocultam essa única sob diferentes formas. Essa é a escolha única e final em que a verdade é aceita ou negada.
  1. Assim hoje começamos considerando a escolha para a qual o tempo foi feito, a fim de nos ajudar a fazê-la. Tal é seu propósito santo, agora transformado, pois não tem mais a intenção que tu lhe deste: de que fosse um meio para demonstrar que o inferno é real, que a esperança vem a ser desespero e que a própria vida, no fim, não pode deixar de ser vencida pela morte. Só na morte é possível dar solução aos opostos, pois acabar com as oposições é morrer. E assim a salvação tem que ser vista como morte, pois a vida é vista como conflito. Resolver o conflito é pôr um fim a tua vida também.
  1. Essas crenças loucas podem ganhar um domínio inconsciente de grande intensidade e a mente pode ser tomada por um terror e uma ansiedade tão fortes que ela não renunciará a suas ideias sobre sua própria proteção. Ela tem que ser salva da salvação, ameaçada para estar segura e magicamente armada contra a verdade. E essas decisões são feitas sem que se esteja ciente, a fim de mantê-las em segurança e sem perturbações, à parte do questionamento, da razão e da dúvida.
  1. O Céu é escolhido conscientemente. A escolha não pode ser feita enquanto as alternativas não forem cuidadosamente vistas e compreendidas. Tudo que está velado nas sombras tem que ser erguido à compreensão, para ser novamente julgado e, dessa vez, com o auxílio do Céu. E todos os equívocos de julgamento que a mente tenha cometido antes são abertos à correção, à medida que a verdade os descarta por carecerem de causa. Agora não têm efeitos. Não podem ser ocultados, pois o fato de que eles não são nada é reconhecido.
  1. A escolha consciente do Céu é tão certa quanto o fim do medo do inferno, quando esse é retirado do escudo protetor da inconsciência e é trazido à luz. Quem pode decidir entre o que é visto claramente e o que não é reconhecido? No entanto quem pode falhar em fazer uma escolha entre alternativas, se apenas uma é vista como valiosa e a outra como uma coisa inteiramente sem valor, que não passa de uma fonte imaginária de culpa e dor? Quem hesita em fazer uma escolha como essa? E nós hesitaremos em escolher hoje?
  1. Escolheremos o Céu ao acordarmos e passamos cinco minutos nos assegurando de que fizemos a única escolha sã. Reconhecemos que estamos fazendo uma escolha consciente entre o que tem existência e o que nada tem a não ser uma aparência de verdade. Seu pseudosser, ao ser trazido ao que é real, mostra-se inconsistente e transparente na luz. Agora ele não contém terror, pois o que foi feito para ser enorme, vingativo, impiedoso por estar cheio de ódio exige a obscuridade para que o medo possa ser investido nele. Agora é reconhecido como apenas um equívoco tolo e trivial.
  1. Antes de fecharmos os olhos para dormir essa noite, reafirmamos a escolha que temos feito a cada hora do dia. E agora damos os últimos cinco minutos de nosso dia à decisão com a qual acordamos. A cada hora que passou declaramos mais uma vez nossa escolha num breve momento de quietude dedicado a manter a sanidade. E finalmente encerramos o dia com isso, reconhecendo que só escolheremos o que queremos:

 

O Céu é a decisão que tenho que tomar.

Vou tomá-la agora e não mudarei minha mente,

pois é a única coisa que quero.

 

Comentários do  Kenneth Wapnick

Lição 138: O Céu é a decisão que eu tenho que tomar.

“Chegamos à outra lição importante, tendo como tema principal o poder de escolha de nossas mentes. Tomar uma decisão é sem significado a menos que saibamos entre o que estamos decidindo. Assim, para decidirmos pelo Céu precisamos primeiro estar cientes do inferno do ego contra o qual estamos escolhendo. Essa consciência da mente dividida desfaz a estratégia do ego de ausência de mente. 

Uma vez que o poder tomador de decisões da mente do Filho escolheu o sistema de pensamento de individualidade e especialismo, a preocupação do ego é a de que o Filho possa mudar sua mente. Ele estabelece uma estratégia brilhante para tornar o Filho de Deus sem mente, por fabricar um conto de pecado, culpa e medo: separação significa pecado, porque eu ataquei Deus para que pudesse viver; eu me sinto culpado pelo que fiz; e estou aterrorizado com o monstro que espreita agora em minha mente, pronto a me atacar, em vingança pelo meu pecado. Ontologicamente, penso nesse “monstro” como a Autoridade suprema, Cuja posição como Criador eu usurpei. Agora, preciso escapar desse Monstro em minha mente, determinado a me destruir pelo que fiz a Ele. Não tenho outra escolha a não ser fugir da minha mente e me projetar em um mundo e um corpo, fazendo o universo físico de especificidade no qual agora vejo o pecado e a culpa que não quero reconhecer em mim mesmo. 

O resultado desse plano é que a parte tomadora de decisões da minha mente parece para sempre enterrada, oculta pelo pecado, culpa e medo que por seu lado são escondidos por minhas experiências corporais no mundo físico. Para que eu tome a decisão pelo Céu – decidindo pelo Espírito Santo – preciso primeiro reconhecer minha escolha original pelo ego. Assim, o papel específico do nosso novo Professor é nos ajudar a identificar o plano secreto do ego, para que possamos aprender que o que percebemos do lado de fora reflete o que primeiro tornamos real dentro de nós. Só então nossa escolha se torna realmente significativa. O “plano” do Espírito Santo de desvelar a estratégia do ego, portanto, está subjacente a essa lição.

Nós aprendemos nessa lição que o Céu não é realmente uma escolha. Uma vez que o Céu é perfeita Unicidade, na verdade, não existe nada entre o que escolher. Em nosso mundo dualista, no entanto, escolher é necessário, e é essencial que compreendamos essas duas escolhas: o sistema de pensamento de ódio e morte, e o reflexo da Unicidade do Céu.

Uma vez que nosso ser nasceu do medo do amor, e é sustentado pelo medo também, esse ser se torna uma criatura de opostos, inevitavelmente fazendo surgir um mundo de opostos que contradiz a realidade e testemunha sua aparente inexistência.

Se nossa escolha for entre o ego e o Espírito Santo – as mentes certa e errada – então, escolher um resolve o conflito e libera o outro. Uma vez que não podemos manter dois sistemas de pensamento mutuamente excludentes e esperar encontrar paz, escolhendo a paz sobre o conflito, a verdade sobre a ilusão, nós gentilmente traçamos nossa escapatória para a realidade além dos opostos. 

Nosso tempo e esforço serão inúteis se não forem engendrados para nos ajudar a tomar essa única decisão pelo Céu. Realmente existe um propósito mais poderoso para estar aqui: aprender as lições da nossa sala de aula – com Jesus como nosso professor – de que existe outra maneira de olharmos para o mundo, refletindo para nós outra forma de olharmos dentro de nossas mentes. Isso vai abrir a porta para que façamos a escolha certa. Qualquer coisa menos do que essa meta é uma perda de tempo. Assim, tentar consertar as coisas no mundo é sem sentido se isso não nos levar a mudar nossas mentes. Escolher o Espírito Santo continua sendo a única decisão significativa que podemos tomar.

Quando você pode se identificar com o propósito de mudar sua mente e seu professor, sua vida desde o nascimento à morte, do momento em que você acorda até a hora em que vai dormir, terá grande significado. Você vai fechar seus olhos à noite com um senso de preenchimento, não necessariamente porque aprendeu tudo o que havia para aprender, mas porque entendeu que sua vida no mundo é uma sala de aulas – nem uma prisão nem um paraíso. Você descansa facilmente com o pensamento de que mesmo que não tiver aprendido todas as suas lições, amanhã ainda é outro dia, ensinado por um professor que é infinitamente paciente. Assim, você desperta a cada manhã com alegria e volta alegremente para a cama à noite, não importando os sucessos ou fracassos percebidos no dia, pois você se identificou com o único propósito que torna a vida significativa. 

Quando nós finalmente fazemos a escolha por Deus, o ego desaparece, o que significa que realmente não havia escolha de forma alguma. Desfazendo o equívoco original, desfazemos o pensamento e o mundo de separação ao mesmo tempo. Na verdade, não havia culpa ou Expiação, e nenhuma mente tomadora de decisões para escolher entre eles. Havia, e há apenas a verdade de Deus.

No instante em que escolhemos aceitar a Expiação do Espírito Santo para nós mesmos – o alcance do mundo real – toda decisão, conflito e oposição terminam. Quando o mundo de opostos se vai, tudo o que resta é a memória de Deus. Como o Curso ensina, nesse ponto, Deus se abaixa e nos levanta de volta até Ele. 

Esse é um curso em aprendizado, que é o motivo pelo qual Jesus apresenta sua mensagem dentro de uma moldura curricular. O que aprendemos não é a verdade, mas como desfazermos as interferências à nossa lembrança da verdade. 

A maneira de reconhecermos, aceitarmos e sabermos que a verdade é nossa é desfazermos os obstáculos a ela. Se a verdade é amor, então, a separação, ódio sofrimento e morte são as interferências, e o perdão é o meio pelo qual as liberamos. Conforme cada escuridão desses pensamentos ilusórios é trazida à luz da verdade de Jesus, os pensamentos desaparecem no brilho resplandecente do seu amor. O que resta é a verdade. O processo começa pelo reconhecimento dos seus reflexos, começando a aceitá-la mais e mais como a verdade, e finalmente sabendo que nós somos essa verdade. 

O propósito do Um Curso em Milagres é tornar consciente o sistema de pensamento do ego – a decisão pelo inferno – para que possamos ficar conscientes dessa decisão. Sem tal consciência, não podemos mudar nossas mentes em relação a ele. O propósito do Espírito Santo para o mundo, mais uma vez, é que ele seja a sala de aulas na qual nosso novo professor, Jesus, nos instrui a ver como o que experimentamos fora é um efeito direto da decisão da mente. Ao aprendermos cada vez mais a lição, o foco da nossa atenção muda dos problemas externos percebidos – nossas necessidades especiais – para a percepção de que eles são apenas reflexos da necessidade do ego de preservar sua separação, mantendo-nos inconscientes do poder das nossas mentes que o escolheram.

Se você for sincero sobre querer o Céu, precisa ser igualmente sincero sobre escolher os meios que vão levá-lo até lá – as lições de perdão que nossas vidas diárias nos oferecem quando escolhemos o Espírito Santo. Se você for sério sobre o Um Curso em Milagres, e o tema dessa lição de escolher o Céu, vai precisar ser sério em relação a tomar a estrada que vai levá-lo até lá. Assim, você vai lutar para se lembrar do seu propósito de despertar durante o dia todo, e de novo antes de fechar seus olhos à noite: vendo sua vida como uma sala de aula com um Professor Que vai instruí-lo em relação ao seu significado apropriado, refletindo de volta para você uma decisão que a mente tomou pelo ego, uma decisão que você agora alegremente corrige. Sua decisão pelo Céu se torna os meios de lhe dar a única alegria que você quer – despertar do sonho do ego e voltar para casa.”


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